terça-feira, 22 de dezembro de 2015

o Natal terá um cheiro diferente este ano, um som diferente, um sabor que não será igual.
faltas cá tu, vó, para impor o silêncio nas nossas palermices e, quase sem querer, te rires de nós, ao mesmo tempo que ralhas e nos chamas malucos...
no fundo, é tempo de virar a página, sabes? no fundo, sabemos que a tua ausência implica que não sofras. é uma espécie de consolo que não consola, é uma espécie de dor que teimamos em transformar em coisas boas.
diz o povo que o coraçao tem razões que a própria razão desconhece... deve ser isto, vó, deve ser este tentar não ficar triste, tentar rir e querer receber prendas, mas o meu Natal sem ti não é Natal... o meu Natal começava quando te via sentada de pernas embrulhadas, começava no instante do teu xi... e agora não sei o que faça neste Natal...
não o podemos adiar para mais daqui a pouco? para quando a lembrança da tua partida for um pouquinho mais ténue?!
não quero dar prendas, receber prendas, não quero pôr o gorro de Natal, vó!! para quê, se não te vais rir de mim?
queria pedir-te desculpa, vó. desculpa, vó, mas não quero estar feliz neste Natal.
e ainda que o tempo me cure, ainda que ele me ofereça o coração cheio de alegria por te pertencer, queria que estivesses aqui.. só isso! que pudesse acordar contigo a resmungar que às 11h da manhã, não é hora para tomar o café...

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