terça-feira, 13 de dezembro de 2011

a poesia não vem no fim

não, zé,
a poesia não vem no fim!

a poesia está
no roçar da pele
numa boca de desejo

no braço nu
que arrepia a coxa despida

está no suspirar
gemido em fá bemol
estremecido

está no apertar quente
da carne
em carrossel alucinado

está na mão
que te dá ao beijo
a manhã nublada

está nas unhas
que te arrancam
o grito
que pintará a madrugada

está na língua
que se fala
em jeito de tradução

a poesia vem, zé,
quando a ponta
dos meus dedos
tecla no corpo
as palavras que só na pele
se podem escrever

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