não, zé,
a poesia não vem no fim!
a poesia está
no roçar da pele
numa boca de desejo
no braço nu
que arrepia a coxa despida
está no suspirar
gemido em fá bemol
estremecido
está no apertar quente
da carne
em carrossel alucinado
está na mão
que te dá ao beijo
a manhã nublada
está nas unhas
que te arrancam
o grito
que pintará a madrugada
está na língua
que se fala
em jeito de tradução
a poesia vem, zé,
quando a ponta
dos meus dedos
tecla no corpo
as palavras que só na pele
se podem escrever
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
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