escreveste-te na pele
que me rodeia os ossos
poemas sem rimas
palavras esdrúxulas de prazer
despiste-me de mim
deixaste à minha porta
a nudez dos dias normais
a limpidez de um beijo
na ponta dos nossos dedos
hoje escrevo
do fundo do mar
naufraguei em ti
desnorteei-me
aos quatros ventos
rebento-me nas ondas
dos pedaços
que quebrei em mim
salgo a alma
com as lágrimas que não choro
e afundo-me a todo
o momento
afundo-me
e parece
que nem sei
domingo, 22 de março de 2015
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