o meu grito
tem a forma
das palavras
a minha lágrima
o contorno
de uma sílaba
perdida
no meio
de um verso
desentendo
a ausência
do sal na face
entendo
que não seja
o que esperam de mim
a minha dor
desenrola-se
nos sinónimos
que escrevinho
um exorcismo
uma espécie
de excomunhão
gosto da solidão
da minha dor
de dividi-la
entre esta tinta
e este papel
de a explorar
por dentro
do que sou
de a vomitar
em forma
de certa poesia
que esqueço
por vezes
que existe
e este diálogo
liberta-me
deixa-me olhá-la
de frente
feia e lúcida
tão transbordante
quanto uma alegria
quanto um sorriso
por vezes tão necessária
por vezes
tão pérfida e atroz
por vezes tão
igual a mim
segunda-feira, 2 de março de 2015
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