ela tem amor para dar
mas a alma pede-lhe corpo
e o corpo pede-lhe carne
e a carne
torna-se o refúgio da alma
torna-se a gruta
onde se permitem
os guturais gritos da dor
e a carne
revela-se a encosta
das lágrimas
e a pedra onde se
parte o coração
e a carne
não é já somente carne
senão o deserto
onde se perde
é a inexistência de si
e a carne
é o deleite
e o prazer
de ser-se humano
a vingança
dos dias
que não são
e ás vezes,
é a carne
que a devora
para depois
ser
também ela
poesia
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